Me tornei quem eu precisava quando era menina

Me tornei quem eu precisava quando era menina

Recentemente, tive a honra de participar do quadro “Parece Terapia”, da querida Pamela Magalhães — e foi exatamente isso: uma conversa que acolhe, transforma e nos faz revisitar partes da nossa história com mais gentileza.

 

Compartilhei ali momentos muito íntimos da minha trajetória. Como, por exemplo, o fato de, mesmo sendo reconhecida nos documentos, ter vivido uma infância marcada pela dúvida do meu pai sobre a minha paternidade. Precisei, já adulta, fazer um teste de DNA. Mas o que mais marcou não foi o teste em si — e sim o quanto a falta de afeto me ensinou sobre o que realmente importa: o amor.

 

Também compartilhei o quanto foi duro crescer ouvindo que “não valia a pena ter filhos”. Uma frase que, repetida muitas vezes, se instala. E por muito tempo, ela ficou ali, ecoando dentro de mim — até que precisei olhar pra isso, com coragem, em terapia e na vida.

 

Hoje, com o coração curado, eu entendo: foi através dos meus dois filhos que experimentei o amor mais genuíno que já senti. Eles me ensinaram a amar sem medida — e me mostraram que a gente dá amor a quem quer ser amado. Às vezes, o amor que nos faltou no passado, a vida nos devolve em outras formas.

 

Na conversa com a Pamela, também falamos sobre liberdade. Sobre assumir meus cabelos brancos como um símbolo de autonomia. De quando parei de pintar os fios, e comecei, de verdade, a me ver. Me aceitar. Me amar como sou. E o quanto isso me libertou de padrões que, por anos, tentaram me encaixar em moldes que nunca me serviram.

 

Sou grata por cada dor. Cada não. Cada silêncio. Porque foram esses vazios que me ensinaram a reconhecer quando a vida me oferecia uma nova chance. Sempre acreditei que olhar pra frente é o que nos move. Não é fingir que não doeu — é saber que a gente pode florescer, mesmo depois de ter rachado por dentro.

 

Essa entrevista foi um presente. Um espaço de escuta e verdade. Se puder, assista com carinho. Talvez você também se veja em alguma dessas partes de mim.

 

Com amor,
Marluce Rosado

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